Pasárgada

…Cheguei no momento da criação do mundo e resolvi não existir. Cheguei ao zero-espaço, ao nada-tempo, ao eu coincidente com vós-tudo, e conclui: No meio do nevoeiro é preciso conduzir o barco devagar.


Serei o que fui, logo que deixe de ser o que sou; porque quando fui forçado a ser o que sou, foi porque era o que fui.

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quarta-feira, 4 de março de 2015

LÁZARO, POBRE QUE SE IDENTIFICA COM JESUS

Dia 05 de Março de 2015

Evangelho – Lc 16,19-31

A palavra de Deus, neste tempo especial, está sempre chamando a nossa atenção para o cuidado que devemos ter para  o que é de mais precioso para  Deus: avida humana! 
Como seguidores de Jesus, não podemos fechar os olhos diante da  triste realidade que aí está: irmãos nossos, vivendo às margens da sociedade, sobrevivendo  das migalhas que caem da mesa daqueles que tomam para si, o que deveria ser de todos. Somos chamados a contemplar o rosto desfigurado de Jesus, estampado no semblante destes irmãos, ceifados até mesmo do direito à vida!  Ignorar estes irmãos, é ignorar o próprio Jesus, que quer contar conosco na construção de um mundo melhor, de um mundo mais justo, mais fraterno  onde todos tenham o direito a uma  vida digna.
Como filhos e filhas  do mesmo Pai, somos co-responsáveis pela vida do outro, não podemos transferir para outros,  a responsabilidade que é nossa: ser  amparo para os que sofrem.
Precisamos  aprender a olhar o irmão com o olhar de Jesus,  um olhar que  não apenas constata  a sua  necessidade, mas que nos  leve a socorre-lo.
O Evangelho de hoje, narra a parábola do rico e do Lázaro! Através de uma história, Jesus nos alerta, sobre a importância de cuidarmos dos pobres, são eles, os amigos de Deus, que abrirão a porta do céu pára nós!
Podemos perceber nesta parábola, que Jesus não cita o nome do rico, somente o nome  do pobre, que chamava Lázaro, reafirmando  a sua  predileção para com os pobres, os pobres, Jesus os conhece pelo nome! 
 O rico desta parábola, não maltratava Lázaro, (o pobre), ele simplesmente o ignorava, perdendo assim, a oportunidade de alcançar, através da caridade, a vida eterna. A sua  condenação,  não foi pelo fato dele  ser rico, e sim, pelo bem que ele deixou de fazer.
Podemos comparar o rico desta história, com a elite da sociedade de hoje,  os responsáveis pela distribuição de renda e  também, com muitos de nós,  que se diz cristão, mas  que ignora o que é de mais precioso para Deus: os pequeninos, os pobres, fazendo de conta que está tudo bem, que a desigualdade não existe.
O Lázaro representa o povo ignorado, sofrido e oprimido. Existem muitos Lázaros espalhados pelo mundo afora, passando fome, sedentos de amor, morrendo nas portas dos hospitais sem atendimento médico, e o pior, diante dos olhares insensíveis daqueles que tem o dever de cuidar deles. 
Outra coisa que deve  chamar a nossa atenção nesta história, é que Lázaro, mesmo sendo pobre, sobrevivendo das migalhas que caía da mesa do rico, não reclamava da vida, o que nos mostra, que ele tinha total confiança  na promessa de Deus, promessa, que se concretizou com o seu acolhimento no céu!
A parábola nos diz claramente que é impossível transpor o abismo que separa o inferno do paraíso. A ponte que nos liga ao céu, deve ser construída aqui na terra, no aqui e no agora, através de nossos  gestos concretos de amor ao próximo, depois que partirmos deste mundo, será tarde demais!
Não esperemos,  que o pobre venha até a nós, para que possamos ajudá-lo, a exemplo de Jesus,  devemos ir até ele, certificar de suas necessidades, conhecer a sua história, demonstrar interesse por ele, a sua  fome, nem  sempre é de pão, muitas  vezes,  é fome  de amor, fome da presença de alguém!
O conceito de pobre e rico para Jesus, é diferente do nosso conceito, para nós, pobre, é todo aquele que não possui bens, e rico, é todo aquele que possui muitos bens. Enquanto que para Jesus, pobre, é todo aquele que se esvazia de si mesmo para se tornar dependente de  Deus, independente dele possuir ou não, bens materiais. Já o rico, para Jesus, é todo aquele que acumula, que se fecha em si mesmo, que não partilha que não sente necessitado de Deus! Portanto, aos olhos de Jesus, existem pobres de bens materiais que são ricos em ganância em soberba, e ricos, que  são pobres, porque se esvaziam de si mesmos  para se tornarem dependentes de Deus.
 É bom tomarmos consciência de que no nosso julgamento final, seremos cobrados pelo bem que deixamos de fazer!
No pobre está estampado o semblante de Jesus, ignorá-lo, é ignorar o próprio Jesus.



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