Pasárgada

…Cheguei no momento da criação do mundo e resolvi não existir. Cheguei ao zero-espaço, ao nada-tempo, ao eu coincidente com vós-tudo, e conclui: No meio do nevoeiro é preciso conduzir o barco devagar.


Serei o que fui, logo que deixe de ser o que sou; porque quando fui forçado a ser o que sou, foi porque era o que fui.

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quinta-feira, 27 de abril de 2023

a das famílias - meditação

 

 

Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23, 34).

Ao longo de nossa existência sempre ouvimos falar que a mágoa, o ódio, o ressentimento são brasas que carregamos para jogar naqueles que nos ofenderam, mas que quem se queima é quem as carrega; venenos que tomamos esperando que os outros morram envenenados; fardos pesados que carregamos à exaustão sem nada obtermos em troca. Mochilas cheias daquilo que não nos faz bem; que tira nossa alegria de viver; que afugenta o sol de cada dia nos deixando nas trevas… longe da luz que é Jesus que a todos perdoa.

Foram muitas as vezes que Jesus ensinou seus discípulos a perdoarem. Tomemos como exemplos algumas passagens da Sagrada Escritura: A Oração do Pai Nosso (Mt 6, 14-15) “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens tampouco vosso Pai vos perdoará.”  Em  Mt 18, 21-22, Pedro pergunta ao Mestre:  “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?;  Respondeu-lhe Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”   Perdoar não é tarefa simples, especialmente quando temos que perdoar a nós mesmos, a nós mesmas. É uma atitude de amor. Amor grandioso que nos impulsiona a imitar o Mestre.  Requer fé e crescimento espiritual que nos façam enxergar nossa pequenez, fraquezas e limitações diante do amor incondicional do Criador para com todas as suas criaturas…

Pedir desculpas deveria ser algo tão natural quando dizer bom dia, boa tarde… mas não é assim… requer abertura da mente e do coração. Requer “mãos limpas e  coração puro…”, requer atitude cristã. No Ano Santo da Misericórdia, 2015/2016, exortou nosso querido Papa Francisco, “possa cada família cristã tornar-se um lugar privilegiado onde se experimenta a alegria do perdão. O perdão é a essência do amor, que sabe compreender o erro e remediá-lo. “Pobre de nós, se o Senhor não nos perdoasse”. É no seio da família, acrescentou, que as pessoas são educadas para o perdão, porque se tem a certeza de ser compreendidas e amparadas, não obstante os erros que se possam cometer.” Pratiquemos a conversão… A Quaresma, mais que os outros tempos litúrgicos,  é o  tempo ideal para retomarmos o caminho certo… Livremo-nos do que nos escraviza e maltrata… do que nos faz sofrer e adoecer… soltemos as correntes que nos impedem de caminhar… aprendamos a olhar para a frente… deixemos o passado com o passado e caminhemos livres rumo à santidade.  Que a prática do Jejum e da Oração nos fortaleçam  para a grandeza deste gesto de amor. Que o Espírito Santo nos impulsione aos confessionários e a  uma boa confissão.

Como o Pai Misericordioso da parábola do Filho Pródigo, Lc 15, 11-21, estejamos sempre de braços abertos para acolher, cheios de compaixão,  todos aqueles que esperam de nós apenas um gesto, um abraço.  E como o filho arrependido saibamos voltar para a casa do Pai: “Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.”

Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Família: Lugar de Perdão

Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente. É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.

Papa Francisco.

 

Família espaço de amor e perdão

  

Durante o Sínodo sobre a família (2015-2016), meditou-se profundamente sobre a vocação e a missão da família na vida da Igreja e da sociedade contemporânea.

Hoje gostaria de sublinhar este aspecto: que a família é uma grande escola de preparação para o dom e para o perdão recíproco,sem o qual nenhum amor pode ser duradouro. Sem se doar e sem se perdoar, o amor não subsiste, não perdura. Na oração que Ele mesmo nos ensinou — ou seja, o Pai-Nosso — Jesus leva-nos a pedir ao Pai: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». E no fim comenta: «Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, o vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco o vosso Pai vos perdoará» (Mt 6, 12.14-15). Não se pode viver sem se perdoar, ou pelo menos não se pode viver bem, especialmente em família. Todos os dias cometemos injustiças uns contra os outros. Devemos ter em consideração estas injustiças, devidas à nossa fragilidade e ao nosso egoísmo. No entanto, o que nos pedem é que curemos imediatamente as feridas que causamos uns aos outros, que voltemos a tecer imediatamente os fios que dilaceramos em família. Se esperarmos demais, tudo se tornará mais difícil. E existe um segredo simples para curar as feridas e para resolver as acusações. É este: não deixar que o dia termine sem pedir perdão, sem fazer as pazes entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs... entre nora e sogra! Se aprendermos imediatamente a pedir e a conceder o perdão recíproco, as feridas curam-se, o matrimónio fortalece-se e a família se torna um lar cada vez mais sólido, que resiste aos abalos das nossas pequenas e grandes maldades. E para isto não é necessário pronunciar um grande discurso, mas é suficiente uma carícia: uma carícia e tudo acaba e recomeça. Mas nunca termineis o dia em guerra!

Se aprendermos a viver assim em família, façamo-lo também fora, onde quer que nos encontremos. É fácil ser cépticos acerca disto. Muitos — inclusive entre os cristãos — pensam que é um exagero. Diz-se: sim, são palavras bonitas, mas é impossível pô-las em prática. Mas graças a Deus não é assim. De facto, é precisamente ao receber o perdão de Deus que. por nossa vez, somos capazes de perdão em relação aos outros. Por isso, Jesus faz-nos repetir estas palavras cada vez que recitamos a oração do Pai-Nosso, isto é, todos os dias. E é indispensável que, numa sociedade muitas vezes impiedosa, existam lugares, como a família, onde nós aprendemos a perdoar-nos uns aos outros.

Os ensinamentos da Igreja reavivam a nossa esperança também nisto: a capacidade de perdoar e de se perdoar faz parte da vocação e da missão da família. A prática do perdão não só salva as famílias da divisão, mas torna-as capazes de ajudar a sociedade a ser menos malvada e menos cruel. Sim, cada gesto de perdão repara a casa das fendas e solidifica as suas paredes. A Igreja, queridas famílias, está sempre ao vosso lado para vos ajudar a construir a vossa casa sobre a rocha da qual Jesus falou. E não nos esqueçamos estas palavras que precedem imediatamente a parábola da casa: «Não quem diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus mas aquele que faz a vontade do Pai». E acrescenta: «Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos o teu nome e exorcizamos demónios em teu nome? Eu porém declararei a eles: nunca vos conheci» (cfr Mt 7, 21-23). É uma palavra forte, sem dúvida, que tem a finalidade de nos chocar e nos chamar à conversão.

Garanto-vos, queridas famílias, que se fordes capazes de caminhar sempre cada vez mais decididamente na via das bem-aventuranças, aprendendo e ensinando a perdoar-vos reciprocamente, em toda a grande família da Igreja crescerá a capacidade de dar testemunho da força renovadora do perdão de Deus. Diversamente, fazemos pregações lindíssimas, e talvez até esmagamos algum diabo, mas no final o Senhor não nos reconhecerá como os seus discípulos, porque não tivemos a capacidade de perdoar e de nos fazer perdoar pelos outros!

Com esta intenção, rezemos juntos: «Pai nosso, perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».

 

 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Setembro - mês da bíblia

 

Lectio Divina

1 - Conceito

A Lectio Divina vem do latim e tem como significado, “leitura divina”, “leitura espiritual” ou ainda “leitura orante da Bíblia”, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e a sua vontade, pode-se produzir os frutos espirituais necessários para a salvação. A Lectio Divina é deixar-se envolver pelo plano da Salvação de Deus. Os princípios da Lectio Divina foram expressos por volta do ano 220 e praticados por monges católicos, especialmente as regras monásticas dos santos: Pacómio, Agostinho, Basílio e Bento. Santa Terezinha Do Menino Jesus dizia, em período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela busca no Evangelho o alimento de sua alma.

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, pode-se fazê-la em grupo. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Monges diziam que a Lectio Divina é a escada espiritual dos monges, mas é também de todo o cristão. O Papa Bento XVI fez a seguinte observação num discurso de 2005: “Eu gostaria, em especial recordar e recomendar a antiga tradição da Lectio Divina, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada da oração que traz um diálogo íntimo em que a leitura, se escuta Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração”.

O Concílio Vaticano II, em seu decreto Dei Verbum (DV 25), ratificou e promoveu com todo o peso de sua autoridade, a restauração da Lectio Divina, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja. O Concílio exorta igualmente, com ardor e insistência, a todos os fiéis cristãos, especialmente aos religiosos, que, pela frequente leitura das divinas Escrituras, alcancem esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo (Fl 3,8). Porquanto “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo” (São Jerónimo).

A prática cristã ancestral de Oração Centrante tem suas raízes e é alimentada pela oração de escuta da Palavra de Deus na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos e Salmos. Por isso, faço este convite a você que ainda não faz a Lectio Divina para ter este profundo alimento espiritual e a quem faz   desejo os votos de perseverança.

Quanto à leitura, Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Sagrada Escritura (aconselha-se que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos). Leia o texto quantas vezes forem necessárias. Procure identificar as coisas importantes desta perícope: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as acções. É importante identificar tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com aplicação de espírito. À leitura, eu escuto: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Eis uma palavra curta, mas cheia de suaves sentidos para o repasto da alma. Ela oferece como que um cacho de uva. A alma, depois de o examinar com cuidado, diz em si mesma: Pode haver aqui algum bem, voltarei ao meu coração e tentarei, se possível, entender encontrar esta pureza. Pois é preciosa e desejável tal coisa, cujos possuidores são ditos bem-aventurados, e à qual se compromete a visão de Deus, que é a vida eterna, e que é louvada por tantos testemunhos da Sagrada Escritura.

Quanto à Meditatio (meditação), começa, então, diligente meditação. Ela não se detém no exterior, não pára na superfície, apoia o pé mais profundamente, penetra no interior, perscruta cada aspecto. Considera atenta que não se disse: Bem-aventurados os puros de corpo, mas, sim, “os puros de coração”. Pois não basta ter as mãos inocentes de más obras, se não estivermos, no espírito, purificados de pensamentos depravados. Isso o profeta confirma por sua autoridade, ao dizer: Quem subirá o monte do Senhor? Ou quem estará de pé no seu santuário? Aquele que for inocente nas mãos e de coração puro (Sl 24,3-4). Depois de ter reflectido sobre esses pontos e outros semelhantes no que toca à pureza do coração, a meditação começa a pensar no prémio: Como seria glorioso e deleitável ver a face desejada do Senhor, mais bela do que a de todos os homens (Sl 45,3), não mais tendo a aparência como que o revestiu sua mão, mas envergando a estola da imortalidade, e coroado com o diadema que seu Pai lhe deu no dia da ressurreição e de glória, o dia que o Senhor fez (Sl 118,24).

Quanto à Oratio, toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade. Vendo, pois, a alma que não pode por si mesma atingir a desejada doçura de conhecimento e da experiência, e que quanto mais se aproxima do fundo do coração (Sl 64,7), tanto mais distante é Deus (cf. Sl 64,8), ela se humilha e se refugia na oração. E diz: Senhor, que não és contemplado senão pelos corações puros, eu procuro, pela leitura e pela meditação, qual é, e como poder ser adquirida a verdadeira doçura do coração, a fim de por ela conhecer-te, ao menos um pouco.

Quanto ao último passo à Contemplatio (contemplação), Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

Portanto, diante deste património da nossa Igreja que é este método de Oração da Lectio Divina, é preciso ganhar gosto pela Leitura Orante da Palavra de Deus, pois, nós sabemos que a oração é um dos alimentos da alma de que obtemos forças para enfrentar tantas adversidades na nossa caminhada.

2 - O processo do método Lectio Divina

A leitura desperta o desejo desse encontro com Deus por meio de Sua Palavra, e é um esforço de entendimento sobre o que está escrito nos textos. Por isso, é um exercício da razão do empenho da inteligência pela busca da doçura por uma vida bem aventurada. A meditação mergulha mais profundamente naquilo que foi lido, ela examina cada detalhe para fazer uma íntima reflexão. Nesse estágio, se começa a pressentir a presença divina e o desejo do encontro com Deus aumenta ainda mais.

A oração é o pedido para que esse encontro com o divino aconteça. Por si mesmo, o homem não é capaz de atingir o conhecimento e a experiência com Deus. Somente com o auxílio do Espírito de Deus, ele poderá ser levado ao encontro tão desejado pela sua alma. A contemplação é o encontro, ela proporciona o sabor da experiência com Deus que, em sua bondade e atento às nossas preces, mal espera a oração acabar e já Se apressa para vir ao encontro da alma que O deseja ardentemente.

É importante compreender as funções e as propriedades de cada degrau e, também, perceber como os degraus dessa escada se relacionam entre si; para então, entender o que cada degrau produz na pessoa que faz o estudo bíblico por meio desse método.

A leitura orante da Bíblia, ou lectio divina, é um alimento necessário para a nossa vida espiritual. A partir desta oração, conscientes do plano de Deus e sua vontade, podemos produzir os frutos espirituais em nossa vida.

A lectio divina é deixar-se envolver pelo plano amoroso e libertador de Deus. Santa Teresinha do Menino Jesus dizia, em seu período de aridez espiritual, que quando os livros espirituais não lhe diziam mais nada, ela buscava no Evangelho o alimento da sua alma.

3 – Como fazer a LECTIO DIVINA

A Lectio Divina tradicionalmente é uma oração individual, porém, podemos fazê-la em grupos. O importante é rezar com a Palavra de Deus lembrando o que dizem os bispos católicos no Concílio Vaticano II, relembrando a mais antiga tradição católica, que conhecer a Sagrada Escritura é conhecer o próprio Cristo. Os monges diziam que a LECTIO DIVINA é a escada espiritual dos monges, mas é também a de todo o cristão!

4 – Os passos da LECTIO DIVINA

1) Oração inicial: Comece invocando o Espírito Santo, que nos faz conhecer e querer fazer a vontade de Deus. Reze, por exemplo, com a seguinte oração:

«Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. - Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos rectamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.»

2) Ler a Palavra de Deus: Leia, com calma e atenção, um pequeno trecho da Bíblia (aconselhamos que nas primeiras vezes utilize-se os textos dos Evangelhos, por serem mais familiares a todos). Se for preciso, leia o texto quantas vezes forem necessárias.

Procure identificar as coisas importantes deste trecho da Bíblia: o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as acções. Você conhece algum outro trecho que seja parecido com este que leu? É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que este trecho nos traz!

3) Meditar a Palavra de Deus: É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus: é hora de saborear a Palavra de Deus e não apenas estudá-la. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Feche os olhos, isto pode ajudar. É preciso concentrar-se!

4) Rezar a Palavra de Deus: Toda boa meditação desemboca naturalmente na oração. É o momento de responder a Deus após havê-lo escutado. Esta oração é um momento muito pessoal que diz respeito apenas à pessoa e Deus. É um diálogo pessoal! Não se preocupe em preparar palavras, fale o que vai no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a sua vontade.

5) Contemplar a Palavra de Deus: Desta etapa a pessoa não é dona. É um momento que pertence a Deus e sua presença misteriosa, sim, mas sempre presença. É um momento no qual se permanece em silêncio diante de Deus. Se ele o conduzirá à contemplação, louvado seja Deus! Se ele lhe dará apenas a tranquilidade de uns momentos de paz e silêncio, louvado seja Deus! Se para você será um momento de esforço para ficar na presença de Deus, louvado seja Deus!

6) Conservar a Palavra de Deus na vida: Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Produza os frutos da Palavra de Deus semeada no seu coração, frutos como: paz, sorriso, decisão, caridade, bondade, etc... Não se preocupe se alguma coisa não for bem, um dos frutos da Palavra de Deus é a noção do erro e a conversão pela sua misericórdia. O importante é que a semente da Palavra de Deus produza frutos, se 30, 60 ou 100 por um... o importante é que produza, e que o Povo de Deus possa ser alimentado pelos testemunhos de fé, esperança e amor na vivência de um cristianismo sincero.

Termine com a oração do Pai Nosso, consciente de querer viver a mensagem do Reino de Deus e fazer a sua vontade.

5 – Sintetizando os passos

Papa Francisco afirma que: “é preciso conhecer bem, ler, meditar e assimilar a Bíblia”. E, uma das formas de colocar isso em prática no dia-a-dia é seguir os passos da Leitura Orante (Lectio Divina) da Bíblia.

O Concílio Vaticano II exortou com ardor e insistência a todos os fiéis a leitura frequente das Sagradas Escrituras, pois conhecê-las é conhecer o próprio Cristo. Lendo a Bíblia descobrimos a história que perpassa todo o caminho de amor e de revelação de Deus para com seu povo. Nesse sentido, a Leitura Orante é a escada espiritual de todo cristão, por meio dela nos aproximamos de Deus e sentimos Seu amor.

a) Ler

Escolha a passagem bíblica, pode ser o Evangelho do dia ou algum trecho aleatório. Leia, com calma e atenção. Se for preciso, leia mais de uma vez. É importante estar focado e concentrado. O que o texto diz? Procure identificar aspectos importantes como o ambiente, os personagens, os diálogos, as imagens usadas, as acções. É importante que você identifique tudo com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. É um momento para conhecer e reconhecer a Boa Notícia que ele traz!

b) Meditar

Pergunte a si mesmo: O que o texto diz para mim? É o momento de descobrir os valores e as mensagens espirituais da Palavra de Deus. A meditação busca, actualizar o que foi lido: o valor permanente da Palavra, que foi resposta numa realidade do passado, deve tornar-se eficiente também nas situações de hoje. Embora em tempos históricos diversos, o valor da Palavra permanece e se actualiza. Você, diante de Deus, deve confrontar este trecho com a sua vida. Fechar os olhos pode ajudar. É preciso concentrar-se!

c) Rezar

É o momento de responder a Deus após ouvi-lo. O que o texto me faz querer dizer a Deus? Por vezes, a oração será de louvor, de acção de graças, em outros momentos, será de súplica, de perdão, de silêncio. Ela pode ser espontânea, de cor ou recitada. É um diálogo pessoal! Não se preocupe em preparar palavras, fale o que está no coração depois da meditação: se for louvor, louve; se for pedido de perdão, peça perdão; se for necessidade de maior clareza, peça a luz divina; se for cansaço e aridez, peça os dons da fé e esperança. Enfim, os momentos anteriores, se feitos com atenção e vontade, determinarão esta oração da qual nasce o compromisso de estar com Deus e fazer a Sua vontade.

d) Contemplar

Nessa etapa pergunte a si mesmo: como olhar o mundo, a história, a vida com os olhos de Deus? Começa um novo modo de ver, de sentir a vida, os fatos, a história, as pessoas, as criaturas. É o olhar contemplativo, realizado com os olhos do Espírito, a partir da fé, ou seja, é um olhar que percebe o divino presente e agindo no mundo.

Lectio Divina é um exercício de escuta pessoal da Palavra de Deus. Funciona como uma escada de quatro degraus espirituais: Leitura, Meditação, Oração, Contemplação. Sendo que os degraus são mais para a compreensão, pois o Senhor, na liberdade do seu Espírito, pode elevar à oração e à contemplação no momento que lhe aprouver. É preciso, portanto, estar aberto à acção do Espírito Santo: “Buscai na leitura e encontrareis na meditação; batei pela oração e encontrareis pela contemplação” (Monge Guido II, Idade média).

Para compreendermos melhor e crescermos na intimidade com Deus, vejamos os passos a seguir:

6 – Dito doutra maneira

1 – Leitura – O que fala o texto? É necessário estar atento aos detalhes: o ambiente, o desenrolar dos acontecimentos, os personagens do texto, quais são os diálogos, a reacção das pessoas; procurando perceber os seus sentimentos, as questões mais interessantes, as palavras e trechos que chamam mais atenção. Esse passo é o que exige maior esforço da nossa parte.

2 – Meditação - O que diz o texto de forma pessoal para mim? Este é o momento de se colocar diante da Palavra. É hora de “ruminar”, saborear a Palavra de Deus. Na meditação vamos questionando, confrontando a passagem com a nossa vida, por meio do Espírito Santo.

3 – Oração - O que o texto me faz responder ao Senhor? A oração nasce como fruto da meditação. Os sentimentos nos levam a dar uma resposta a Deus. Através do Espírito Santo, nos é suscitado o louvor, a súplica, a oração penitencial, a oferta.

4 – Contemplação - O que a Palavra faz em mim? É o próprio Deus que age em nossas vidas. É permitir a acção de Deus que recebe a nossa oração e nos leva ao Seu coração. Na contemplação nós somos impelidos a ser como Cristo.

6 – Vivência da palavra de Deus

1 – Monte o grupo

A primeira dica é mobilizar seu público. Orienta-se que em cada rua ou quadra seja organizado um Grupo da Palavra, que se encontrará em um dia da semana previamente combinado. O grupo não deve ser muito grande, por isso, a sugestão é reunir de 12 a 16 pessoas, exclusivamente jovens e adultos. Se houver mais interessados em participar, é oportuno que se forme um outro grupo. Os participantes devem ser sempre os mesmos. Por isso, é necessário incentivá-los para que sejam assíduos;

2 – Encontre um local

O ideal é que o encontro seja realizado em uma determinada casa local, com um espaço amplo e acolhedor, bem iluminada, onde todos possam sentar-se ao redor da mesa. O ambiente onde se realiza o encontro deve ser oportunamente preparado, com a Bíblia aberta e posta no centro da mesa. Lembre-se: não é conveniente mudar continuamente de casa para cada reunião;

3 – Organize-se

Cada participante deve levar para o encontro: sua Bíblia, caderno e caneta.  Também é importante que o participante esteja disposto a viver intensamente a reunião, não só pela compostura exterior, mas também com um “coração limpo”. O dirigente deve estar preparado para escolher os cantos, treinar os leitores e incentivar a participação;

4 – Deixe a Palavra Ecoar

A acolhida deve se dar em um clima fraterno. Durante a meditação, é importante que se faça dez minutos de silêncio fecundo e orante para fazer marcações no texto com os diversos sinais sugeridos no roteiro; no momento da partilha, é necessário que todos procurem escutar com atenção aquilo que o(a) irmão(ã) vai dizer;

5 – Siga os passos da Lectio Divina (nº 4 deste artigo)

Por fim, a cada encontro, pratique com devoção os seguintes passos para a Lectio Divina: invocar o Espírito Santo, partilhar um facto da semana, proclamar o texto bíblico, meditar em silêncio, fazer anotações sobre as passagens e compartilhar com o grupo.

Leve a Palavra de Deus e o fruto desta oração para a sua vida. Maria, modelo de cristã conservava e meditava a Palavra em seu coração. Em sua vida, a Palavra ainda semente, encontrava terreno propício para germinar, crescer e dar frutos. Que tal seguir o exemplo de Maria? Comece já!

Que a Sagrada Escritura, por meio dos passos da Leitura Orante, produza frutos como paz, caridade, amor, paciência, alegria e que você possa ser testemunha de fé e esperança na vivência de um catolicismo sincero.

 

Gabela, Setembro de 2022

KD