Pasárgada

…Cheguei no momento da criação do mundo e resolvi não existir. Cheguei ao zero-espaço, ao nada-tempo, ao eu coincidente com vós-tudo, e conclui: No meio do nevoeiro é preciso conduzir o barco devagar.


Serei o que fui, logo que deixe de ser o que sou; porque quando fui forçado a ser o que sou, foi porque era o que fui.

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sexta-feira, 3 de março de 2017

A DOR DA CURA EMOCIONAL
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     No processo de resolvermos os conflitos emocionais pessoais geralmente precisamos passar pela dor da tomada de consciência do que nos aflige. Muitas situações na vida nos fazem sofrer emocionalmente. Situações devido a perdas, reais ou imaginárias, de alguém que você amava, perda do amor idealizado, perda do sentido para a vida quando você a colocava no material e vê que ele não preencheu tudo, perda porque você pode ter se anulado na vida, tendo perdido, muito ou pouco, da sua personalidade, etc.
     Diante de dores emocionais o ser humano em geral procura esconder o sofrimento de si mesmo. Pode suprimi-lo, o que significa que sabe que o tem, mas evita pensar nele e lidar com ele conscientemente. Pode reprimi-lo, o que significa que o joga para o inconsciente e não tem mais acesso ao mesmo quando deseja, mas quando pode.
     Quando há a repressão do sofrimento, ele pode permanecer muito tempo (anos até) num espaço virtual da mente, e vai tentar sair em alguns momentos da vida da pessoa, seja através do físico (reações psicossomáticas) ou através de distúrbios do comportamento como agressividade “imotivada”, desânimo, fobias, depressão, etc.
     Uma pessoa pode se isolar dentro de si mesma, perder uma parte de si mesma para manter-se na realidade com o que pode ou sobra. Ela reduz o que é para manter-se na realidade. Se torna, muitas vezes, por exemplo, submissa mais do que devia, menos ativa, mais passiva. Isto é uma proteção porque ela não sabe como funcionar com mais atividade. E também é uma expressão do sofrimento, porque está encolhida como indivíduo.
     A cura dói porque para obtermos a cura precisamos tomar consciência de certas dores que havíamos enterrado muito bem em nossa mente, para não sofrer. Mas para não sofrer, é preciso aprender a lidar com a dor, e não evitá-la. Quando você vai percebendo que havia partes encolhidas do seu ser que agora se tornam conscientes, isso pode doer. Mas será uma dor do crescimento e não mais do encolhimento que vinha assim. Temos que enfrentar esta dor, crendo que as condições para sobreviver psiquicamente estão também surgindo ao mesmo tempo. A percepção de nossos problemas pessoais vêem à nossa mente somente quando há resistência interna para lidarmos com ela. Se não, ela não surgiria na consciência.
     A cura dói porque vamos compreendendo que, de certa maneira, estamos sós para viver a pessoa que somos. E melhora quando recebemos ajuda de uma pessoa compreensiva e que nos pode dar um “colo” no sentido de ter empatia para com nossa dor. Melhora quando podemos desabafar, chorar… Melhora quando esta percepção de certa solidão deixa, aos poucos, de nos apavorar. Melhora quando encontramos sentido espiritual na vida.
     Precisamos de conexões afetivas com algumas pessoas, com quem podemos abrir nosso coração e, quem sabe, ouvir algumas palavras reconfortantes, ou algum toque físico de afeto inocente e puro que também produz algum conforto. Também de uma fé, uma confiança num Ser Superior, que eu chamo de Deus Criador, que nos assiste na dor e nos conduz a momentos de refrigério.


Kaquinda Dias

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Evangelho do dia


Reflexão – Mc 10, 17-27

O evangelho de hoje nos apresenta, no caso do jovem rico, um grave erro que pode ocorrer na vida de todos nós no que diz respeito à questão da salvação e que se refere ao sujeito da salvação. Às vezes, a gente escuta que as pessoas devem esforçar-se para se salvarem e eu penso que eu devo conseguir me salvar. Ora, ninguém salva a si próprio. Eu não posso ser o meu salvador. Os discípulos perguntaram: “Quem então poderá salvar-se?” A resposta de Jesus é: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus, tudo é possível”. Não podemos confiar a nossa salvação nem em nós mesmos, nem nos outros e nem nos bens materiais, pois nada ou ninguém, a não ser o próprio Deus, podem nos salvar.
Fonte: CNBB.

NB: E Passárgada quase entrando no ar.
Kaquinda Dias.

VIAGEM


Viagem

Eu vim de longe para encontrar o meu caminho
Tinha um sorriso e o sorriso ainda valia.
Achei difícil a viagem até aqui,
Mas eu cheguei.

Eu vim depressa, eu não vim de caminhão
Eu vim a jato neste asfalto e neste chão.
Achei difícil a viagem até aqui,
Mas eu cheguei.

Eu vim por causa daquilo que não se vê,
Vim nu, descalço, sem dinheiro e o pior,
Achei difícil a viagem até aqui,
Mas eu cheguei.

Eu tive ajuda de quem você não acredita
Tive esperança de chegar até aqui
Vim caminhando, Aqui estou, eu decidi

Eu vou ficar.

(Recolhido)